terça-feira, 22 de julho de 2008

"O mundo esta ao contrario e ninguém reparou" (Nando Reis)

Esses dias eu estava vendo um show recente da Madonna e acho que ela continua uma rainha como sempre, apesar de as vezes descer do salto. E dai eu me lembrei da minha adolescencia, do quanto ela era adorada por uns ao mesmo tempos que odiada pelas pessoas que defendiam os bons principios da familia, da religiao e da tradiçao. Cada clip era um escandalo! As coreografias eram "pornograficas". E hoje, vendo o seu show, vi o quanto ela é "comportada".

Mas nao foi ela que mudou. Ela continua com sua autenticidade, gostemos dela ou nao. Mas o contexto onde ela esta inserida mudou. O que era grave virou cotidiano e tudo se insere no contexto.

Alias, dificilimo ser diferente hoje em dia! As bandas, os artistas, as emissoras de TV, as pessoas tentam, mas todos caem no mesmo banal de sempre. E um simbolo disto é que bandas que antes faziam a diferença (Capital Inicial é um exemplo), hoje sao como todas as outras que apareceram recentemente. Eles deixaram de fazer a diferença para fazer o que todos os outros fazem e entrar na midia com isso. Afinal, vida de artista nao é facil e devemos sempre seguir as novas tendencias... Sera?

Creio que podemos descobrir o diferente se formos atras, se fuçarmos, mas é uma tarefa um pouco ardua. Sinto que hoje tudo é tao igual pois os gostos estao cada vez mais iguais. Isso para mim é uma decadência.

Isso me faz lembrar uma passagem do livro La faim du tigre, de René Berjavel:

"Que Lazaro saia de seu tumulo, é um milagre. Mas se todos os mortos começam a fazer a mesma coisa, nossa surpresa diante deste fato ira desaparecer rapidamente e o habito fara com que nos consideremos a ressurreição como um fenômeno natural.

Nos somos cercados de milagres cujos quais estamos habituados. Os milagres nos fazem viver; estar vivo é miraculoso nos seus minimos detalhes, mas nos estamos tao acostumados ao maravilhoso presente no nosso cotidiano que este maravilhoso perdeu todo o poder de nos deixar admirados".

(René Berjavel, La faim du tigre, Folio, p.90)