quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Escolhas

O pior de tudo foi que eu nem escolhi...

domingo, 18 de julho de 2010

Momentos com a sogra

No início do meu namoro, mais ou menos nos cinco primeiros dias, tudo foi muuuuuuuuuuito tranquilo no meu relacionamento, afinal, eu ainda não conhecia a minha sogra. Só que com essa mania de ter que conhecer a família e aquele papo furado todo, fui eu na casa do meu então namorado. Fui bem recebida na ironia da minha então sogra de todo dia.

Alguns poucos meses depois, após uma briga normal no cotidiano de um casal de adolescentes, ouvi a primeira de tantas: "Assim que você quer conquistar o meu filho"? Foi o primeiro sapo que eu engoli e este foi o problema. Se eu tivesse dado a resposta que ela merecia, hoje eu não teria que passar pelo que eu passo. Eu não teria que aguentar o que eu aguento. Talvez eu nem estaria mais com o meu marido. Mas eu fui engolindo, engolindo, engolindo... E tudo porque o amor que eu sentia por ele era tão forte, que eu tinha medo de perdê-lo, pois ele nunca ficaria ao meu lado em detrimento da mãezinha dele. Hoje eu vejo que é estupidez em anular-se por causa do outro. Eu me arrependo...

Aliás, eu me arrependo de muitas coisas... Eu não sou invejosa, mas tem um tipo de pessoa que eu invejo; aquela que diz que não se arrepende de nada do que ela fez na vida. Será? Será que dá realmente para não se arrepender de nada?

Sempre que a oportunidade aparecia, a frase repetia-se: "É só você tratar bem o meu filho que eu te trato bem, que eu fico feliz". Ela nunca gostou de mim (nunca mesmo) pelo que eu sou, pela minha pessoa, mas pelo meu tratamento com relação ao filho dela. É muita ruindadade!

Até que apareceu a namorada do irmão. E daí criou-se outra pérola: "Antes eu gostava mais de você. Depois que o Y começou a namorar a X, gostei mais dela. Agora vocês duas estão empatadas, pois ela também me decepcionou. Vamos ver quem desempata"? Nossos gênios (meu e da X) nunca se bateram muito pois éramos bem diferentes uma da outra. Mas eu tenho certeza (somente hoje) que nós nunca nos demos bem graças ao veneno da sogra no meu ouvido e no dela ao mesmo tempo. Tudo pelo controle da situação e pelo controle dos filhos. Isso ela sempre teve. Aliás, o poder do discurso é de dar inveja a qualquer retórico.

Depois de tantos anos aguentando as palavras que cortavam minha alma decidi ir embora. Nem que fosse para ser faxineira em um lugar bem longe eu ia. Surgiu uma boa oportunidade e fui. Só a distância diria se realmente o meu relacionamento valia a pena. Passei, frio, necessidade, mas tudo era melhor do que aguentar minha sogra. Pensava nisso e fortalecia-me. Dei-me bem e decidi ficar. Chegou então a hora do meu namorado decidir cortar o cordão umbilical ou continuar sendo o rei. Ele cortou.

Depois de muito desprezo ainda ouvi na despedida: "Eu não acredito que você não vai passar as camisas do meu filho?"

Morávamos em uma república, o que barateava bem o custo de vida. Sempre a mesma frase repetia-se nos mails falsos e irônicos que minha sogra mandava: "Eu sei que vocês estão morando juntos, mas meu filho me falou que só se considerará casado quando vocês morarem sozinhos na casa". Mas é ser muito mimadinho!!!!! Ele jura que nunca falou nada...

Anos depois ela veio visitar minha casa: "Eu não acredito que o meu filho está casado" (repetindo 100 vezes esta frase enquanto inspecionava toda a minha casa). Esse tempo na minha casa foi a gota d'água. Além da onda negativa que instalou-se na minha casa, as mil indiretas, o verdadeiro discurso nas entrelinhas de um discurso falso, eu cheguei ao fundo do poço quando ela disse: "Se você e meu filho se separarem, você sabe que o filho de vocês ficará com o meu filho, né? Afinal de contas ele ganha mais e no Brasil a criança fica com a pessoa que ganha mais".

Cara, eu estava grávida, longe dos meus pais, e ter que ouvir uma coisa dessas? Para mim acabou ali. Se ainda tinha alguma esperança que nós nos déssemos bem, acabou ali.

Hoje várias pessoas se voltam contra mim pois eu imagino as histórias maquiavélicas que ela inventa. Sou triste e não estou triste...

Ela não tinha esse direito e eu não consigo deixar para lá!

Aliás eu não gosto de chamá-la de "sogra" pois tenho que usar o possessivo "minha". Isso me incomoda deveras pois esse possessivo indica que eu tenho uma ligação com essa pessoa que sempre me fez tanto mal. Prefiro dizer que ela é a mãe do meu marido pois dessa maneira quebro qualquer ligação linguistico-afetiva.